Terapia agressiva pode fazer mal a diabético

20 de março de 2010 | 0h 00

Duas pesquisas realizadas nos Estados Unidos apontam que reduzir pressão arterial e colesterol não diminuem risco de problemas cardíacos

Tratamentos rigorosos para diminuir o risco de problemas cardiovasculares em pacientes com diabete tipo 2 mostraram-se ineficientes. Eles podem até potencializar os efeitos colaterais por causa da quantidade de remédios administrados. Essas são as conclusões de dois grandes estudos recém-publicados na revista científica The New England Journal of Medicine.

Os pesquisadores queriam saber, por exemplo, se reduzir a pressão sistólica – a força com que o sangue é impulsionado para fora do coração – para o limite de 120 milímetros de mercúrio protegeria diabéticos com elevados níveis de colesterol e histórico de doenças cardiovasculares.

Os 4.733 voluntários foram divididos em dois grupos. Metade recebeu tratamento intensivo para diminuir a pressão a níveis inferiores a 120 milímetros. Os demais passaram pela terapia-padrão para diabéticos nos EUA, que visa a manter a pressão em até 140 milímetros.

Conclusão: embora tenham alcançado a meta, os pacientes do primeiro grupo não ficaram isentos de ataques cardíacos e se tornaram mais suscetíveis aos efeitos colaterais dos medicamentos, como o aumento da função renal e dos níveis de potássio no sangue. Eles tomaram uma média de 3,6 remédios, ante 2,1 dos diabéticos do segundo grupo.

Colesterol. Diabéticos tendem a apresentar baixos níveis do chamado colesterol bom (HDL) e altos índices de triglicérides no sangue, uma combinação que aumenta os riscos de doenças cardiovasculares.

Para investigar o problema, outro estudo avaliou 5.518 voluntários. Um dos grupos recebeu sinvastatina, medicamento para reduzir o colesterol. O outro recebeu o mesmo remédio associado a um fibrato, tipo de droga que diminui o colesterol ruim e aumenta o HDL. O grupo que recebia dois remédios não teve nenhum benefício quando comparado ao grupo que só tomou um.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Saulo Cavalcanti da Silva, as pesquisas mostram que não existe “receita de bolo” para tratar a diabete. “Cada paciente precisa de uma terapia específica.” Para o professor da Unifesp Augusto Pimazoni, os estudos “contradizem conceitos muito sedimentados”. O Ministério da Saúde disse que “ainda não há consenso internacional sobre as novas pesquisas”. Neste ano, o governo deve revisar as recomendações para o tratamento da diabete.

Fonte:Estadão

Data de criação: 20/03/2010
Última atualização: 27/04/2010

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