Remédio genérico e de baixo custo ajuda diabéticos, diz estudo
18 de março de 2010 • 14h57
Um medicamento anti-inflamatório genérico e de baixo custo, da família da aspirina, ajudou os pacientes participantes de um teste clínico a administrar seu diabetes tipo 2 e reduzir o nível de açúcar no sangue, acrescentando indícios de que a inflamação desempenha papel importante no diabetes e possivelmente apontando para novas abordagens terapêuticas quanto à doença.
O medicamento, conhecido como salsalate, é aparentado à aspirina mas causa menos problemas estomacais, e está em uso há anos para tratamento de artrite e dores nas juntas. Os pacientes que o utilizaram como parte de um teste clínico com seleção aleatória conduzido pelos pesquisadores do Centro de Diabetes Joslin apresentavam melhoras em termos de nível de açúcar no sangue, em prazo de três meses, e os que haviam recebido as maiores dosagens reduziram seus índices de hemoglobina A1C em média por 0,5%. Os pacientes receberam o medicamento também apresentavam contagem reduzida de triglicérides.
“O potencial é realmente muito animador”, disse a Dra. Allison B., Goldfine, diretora de pesquisa clínica do centro e principal autora do estudo, que saiu na terça-feira pela revista Annals of Internal Medicine. “Podemos dispor de uma nova classe de agentes terapêuticos para tratamento de pacientes de diabetes tipo 2, e sempre que surge um novo agente seguro, efetivo e de baixo custo, há motivo para entusiasmo”.
Ainda mais importante, o trabalho pode ajudar a desvendar as causas básicas do diabetes, disse o Dr. Steven Shoelson, o principal autor do artigo e diretor do departamento de pesquisa patofisiológica e farmacologia molecular do centro Joslin, além, de professor na escola de medicina da Universidade Harvard.
“Se formos capazes de compreender de que maneira esse processo está funcionando, poderemos descobrir algumas das causas subjacentes do diabetes e como a obesidade promove inflamações, assim como a forma pela qual a inflamação promove o diabetes e outros problemas de saúde crônicos”, disse Shoelson.
Os dois pesquisadores recomendaram cautela, no entanto, acrescentando que novas pesquisas seriam necessárias antes que os médicos passem a receitar o salsalate regularmente. Pouco mais de 100 pacientes completaram o teste clínico controlado, e alguns deles experimentaram efeitos colaterais negativos, como uma elevação no teor de LDL, ou mau colesterol. O efeito colateral mais comum surgiram entre os pacientes que estavam usando um medicamento contra diabetes conhecido como sulfonylureas, e experimentaram episódios de hipoglicemia – queda do teor de açúcar no sangue- que podem ser perigosos.
Os especialistas que não participaram do teste conduzido em diversas localidades concordaram em que novos testes em escala maior eram necessários, e afirmaram que o impacto do medicamento sobre o teor de glicose no sangue era moderado. Mas afirmaram que as constatações ainda assim eram animadoras porque sugeriam que o diabetes tipo 2 poderia ser combatido por meio do tratamento das inflamações subjacentes.
“Isso expande o arsenal de terapias disponíveis contra essa doença”, disse o Dr. Domenico Accili, diretor do Centro de Pesquisa de Diabetes e Endocrinologia na Universidade Colúmbia. Porque a aterosclerose também é considerada como estado inflamatório, a abordagem poderia em tese reduzir o risco de complicações cardiovasculares associadas ao diabetes, ele afirmou.
A Dra. Meredith Hawkins, professora de medicina no Albert Einstein College of Medicine, Nova York, disse que o trabalho demonstrava que “as inflamações são um bom alvo para o tratamento do diabetes – e isso é algo sobre o que vínhamos discutindo há muito”.
A pesquisa contou com o apoio do Instituto Nacional de Saúde e com o Instituto Nacional de Diabetes, e de Doenças Renais e Digestivas. O salsalate custa menos de 25 centavos de dólar por comprimido, e não oferece uma oportunidade de lucro que atrairia pesquisas por grandes empresas farmacêuticas. Mas com 23,6 milhões de americanos sofrendo de diabetes outros 57 milhões em estágio pré-diabético, o governo federal tem forte interesse no desenvolvimento de novos tratamentos.
Como parte do teste, pesquisadores de 17 diferentes centros clínicos designaram aleatoriamente 108 pessoas com idades dos 18 aos 75 anos para quatro grupos que seguiriam regimes diferenciados, três dos quais receberiam doses distintas de salsalate três vezes por dia, enquanto os pacientes do quarto recebiam placebos, ou seja, pílulas anódinas.
Os pacientes mantiveram seus regimes regulares de tratamento contra o diabetes tipo 2 ao longo do estudo. Depois de três meses, os pacientes que usaram o salsalate apresentavam maior probabilidade de melhoria no teor de açúcar no sangue do que os tratados com o placebo, e aqueles que receberam a maior dose utilizada, quatro gramas diários, mostraram o maior progresso.
Fonte: Terra
Última atualização: 27/04/2010




