Quatro em cada dez paulistas nunca avaliaram o nível de açúcar do sangue
Quatro em cada dez paulistas nunca avaliaram o nível de açúcar do sangue.Mas 84% acreditam na possibilidade de prevenção. É o que revela pesquisa encomendada pela SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), em virtude do Dia Nacional de Controle ao Diabetes.
A população do Estado de São Paulo acredita na prevenção do diabetes, mas pouco mais da metade dos entrevistados (58%) já mediu o nível de glicose no organismo. A Pesquisa SOCESP sobre fatores de risco cardiovascular, feita pelo Instituto Datafolha, mostra ainda que apenas 6% dos paulistas associam o excesso de açúcar no organismo aos problemas do coração.
O Diabetes está em último lugar entre os fatores de risco citados, atrás de Tabagismo (31%), Sedentarismo e Estresse (19%), Pressão Arterial (18%), Alcoolismo (17%), Colesterol (15%) e Obesidade (13%).
A desinformação das pessoas preocupou o presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, Ari Timerman. “O risco de um ataque cardíaco para quem não controla o diabetes pode aumentar em 200%, além de provocar infartos e derrames. Se a doença estiver associada à pressão alta, à obesidade, ao colesterol elevado, ao fumo ou ao sedentarismo os riscos são ainda maiores”, revela.
O coordenador da pesquisa, Álvaro Avezum lamenta tamanha desinformação. “Este fator de risco reduz a expectativa de vida, reduz enormemente a qualidade de vida das pessoas e gera gastos astronômicos para o governo. O fator pode ser prevenido, reconhecido e tratado, no entanto, a população ainda o desconhece”.
O estudo mostrou também que 77% dos entrevistados não sabem o nível normal de açúcar no sangue em um adulto. Apenas 11% citaram o valor correto (entre 51 e 100 mg/dL), 2% citaram valor menor que 70 mg/dL e 11% disseram acima de 101 mg/dL. As regiões de São José do Rio Preto Araçatuba e Presidente Prudente foram as que apresentaram maior nível de desconhecimento, com 80% dos entrevistados não sabendo responder à pergunta. Avezum cita outro fator que chamou a atenção. “Quanto menor a classe social, menor também o conhecimento. Na classe D/E 85% não sabiam responder, já na classe C esse número caiu para 77% e na classe A/B para 73%”.
A população da Região Metropolitana, surpreendentemente, é a que menos faz o controle da glicose no sangue. Apenas 56% dos entrevistados já mediram o nível de açúcar. Já no litoral paulista e no Vale do Paraíba esse número sobe para 61%. Segundo o levantamento, as pessoas medem a taxa de glicose, em média, a cada 1,1 ano. Mais uma vez as pessoas com maior poder aquisitivo e escolaridade são as mais conscientes.
“O ideal é fazer essa avaliação uma vez ao ano para quem não é diabético e de duas a três vezes ao ano para quem é diabético ou tem com glicemia alterada (disglicemia ou tolerância reduzida à glicose)”, explica Avezum.
A pesquisa avaliou também quem já mediu a taxa de açúcar no organismo. 80% declararam ter nível normal, 15% disseram alterado e 3% não souberam responder. Apenas 26% sabiam que o nível ideal é entre 51 e 100 mg/dL. Segundo o coordenador do estudo, algumas mudanças de hábito simples podem ajudar a evitar a doença.
“O Diabetes pode ser prevenido por meio de alimentação saudável (baixa caloria e pouco carboidrato) e por meio de atividade física de moderada intensidade no mínimo de 3 vezes por semana, com duração de 1 hora a cada vez”, conclui Avezum.
O levantamento foi feito em 2008, com 2.096 pessoas entre 14 e 70 anos, em 85 cidades representando os 645 municípios do Estado de São Paulo. O Estado foi subdividido em seis macro regiões: Metropolitana, que inclui a Capital, A (cidades da região de São José do Rio Preto, Araçatuba e Presidente Prudente), B (cidades da região de Ribeirão Preto e Campinas), C (cidades da região de Bauru, Marília, Assis e Itapetininga), D (cidades da região de Araraquara e Piracicaba), E (cidades da região de Santos, litoral paulista e Vale do Paraíba).
Fonte: SOCESP
Última atualização: 18/05/2010




